O sonho da morte de Cassandra - Ato II
O sonho da morte de
Cassandra
Ato II
"...ela
não era tão fria como muitos diziam. A morte era tão quente quanto uma pessoa
qualquer"
Aquela
bebida lhe tinha deixado meio tonta, vagando no delÃrio de sua própria mente, o
sabor forte e terreno do cobre se espalhava entre suas veias e se instalava em
seu cérebro, o tempo de efeito era tão absurdamente rápido que a fez desmaiar e
acordar quase dez horas depois, não se lembrando de porque tinha começado a
beber, sua boca seca e rachada por falta de água implorava por ajuda, junto de
sua mente conturbada pelos acontecimentos recentes, desde a morte de seu gato Alfie
a seu terrÃvel devaneio. O odor que vinha de sua boca era horrÃvel: era uma
junção de podridão e sangue que chegava até os ossos, seus olhos ardiam com a
luz da pequena lâmpada no meio do quarto, nesse momento parecia que o sol lhe chegava
tão perto a ponto de cegá-los. Seu corpo estava todo dolorido da cabeça aos
pés, até o ultimo dedo, era como se um tiranossauro a estivesse esmagando osso
por osso e drenando todo o seu sangue.
Ao seu lado
estava um velho guarda-roupa de madeira tão grande que cobria uma parede do
quarto de cor rosa claro, este negro e imundo. Reparando com mais atenção, ela
avista uma silhueta escura na porta do canto esquerdo do móvel, esta tão grande
quanto um gorila de circo. E tão negro quanto sua sombra.
Saindo de
dentro do guarda-roupa, o animal sombrio conseguia sentir o medo da garota que
estava o fitando, enquanto ele se aproxima vagarosamente com passos curtos e
lentos seus braços abertos e peludos em meio circulo lhe causavam pavor,
daqueles que se sente num cemitério em uma meia-noite. Aquela jovem ainda
sentia o gosto amargo em sua lÃngua quando se afastou para trás e caia da cama
para tentar escapar de seu derradeiro destino. Sentou sobre suas pernas
cruzadas e pôs as duas mãos no rosto tentando afastar o medo, enquanto isso a
morte chegava mais perto...
...tão
próximo que chegou a tocá-la, porém ela não era tão fria como muitos diziam. A
morte era tão quente quanto uma pessoa qualquer. A menina temerosa se entregou,
pois viu que não tinha saÃda. Aquelas mãos a segurava com tanta força que ela
desistira de viver, a curiosidade de conhecê-la não era muita, más no fim a
garota abriu os olhos, e outros a fitava, estes vermelhos e esbugalhados. Bem
abaixo estavam às presas enormes, babando de fúria e ânsia por mais uma alma,
no desespero ela gritou...
__ Não!
...e toda a
sala se assustou com seu urro. A professora de artes vira em seus olhos o
terror, porém ninguém se importou. Cassandra era assim mesmo, só esta semana
ela havia sonhado com sua própria morte cinco vezes e com certeza essa não
seria a ultima.